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Depois de 50 anos de ofício, artesão vê sua arte se transformar em pesquisa

por Gerônimo Vicente - jornalista publicado: 26/09/2018 17h08 última modificação: 27/09/2018 00h10

 

  A vida de artesão de Pedro Cassiano dos Santos já tem mais de 50 anos, mas agora, aos 75, Pedroca como é conhecido o artista, transformou a experiência de manipular a madeira, a argila e a pedra em conhecimento científico. E o resultado chegou voando: uma das peças artísticas foi levada para Miami, Estados Unidos como objeto de pesquisa científica. O que favoreceu a ele essa nova realidade foi o curso técnico de Artesanato, ministrado pelo Instituto Federal de Alagoas, (Ifal) por intermédio do Proeja (Programa de Educação de Jovens e Adultos).

Pedro Cassiano é um dos artesãos que expõe no 3º Congresso Acadêmico do Ifal, realizado desde terça-feira (25) no Campus Maceió. Entre as peças produzidas, a partir da madeira, do coco, da argila e pedra, algumas se transformam animais silvestres feitas em seu ateliê, a partir das técnicas, da linguagem artística e da metodologia aprendidas no curso de Artesanato. “Trabalho com o artesanato desde criança ao começar esculpir em batata e macaxeira no município de Olho Da’Água Grande, no sertão de Alagoas, na década de 1970, mas a teoria aliada à prática do curso me inspira melhor na aplicação da metodologia para confecção de nova peça”, disse o aluno e artesão.

 

     Pedroca veio para Maceió aos 17 anos para servir o Exército e terminou por se estabelecer na capital alagoana e, anos depois a família também composta por quatro irmãos artesãos, juntou-se a ele.

O aprendizado prático o tornou professor de Artesanato em escolas de Arapiraca e alguns convites particulares para ensinar as técnicas das artes com madeira e argila foram aceitos por ele. Pedroca concluirá o curso de Artesanato do Ifal neste ano em uma turma onde ele tem a maior idade.

Presépio

Foi a partir das técnicas metodológicas adquiridas em sala de aula que o aluno-artesão começou a construir seu objeto de pesquisa, uma peça artesanal baseada no Presépio, um tipo de folguedo alagoano que gerou o conhecido pastoril. Segundo ele, o Presépio é dividido em três versões que são, a anunciação, o nascimento e a dança de comemoração, todas referentes ao nascimento de Jesus Cristo e apresentadas na escultura de madeira. “A peça despertou a atenção da professora Gisele Loures que levou o material para os Estados Unidos em um projeto de pesquisa do Ifal”.

As esculturas de Pedroca estão entre as mais visitadas do 3º Conac.

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